A Semente
Poesia em homenagem a João Amazonas, líder comunista, falecido a 27 de maio de 2002, data desta homenagem.
A SEMENTE
Naceste João, como tantos filhos desta terra,
Mas como o Amazonas, que nasce pequeno riacho,
Cresceste e alargaste do horizonte as margens;
Escreveste na história, indelével, teu nome,
Digno das mais justas homenagens.
Quando tentaram conter-te em teu leito, transbordaste,
E transbordando, tal qual o Nilo,
Fertilizaste os corações e mentes
Onde plantaste a semente
De um Brasil socialista.
Noventa anos de história vincaram tua tez morena,
Mas nem os anos de ditadura
Conseguiram curvar tua figura altiva e serena.
Com saudades recordavas valorosos camaradas.
Tal como eles, tombaste lutando por amor a esta causa!
Uma guerrilha e duas constituintes depois
Marcaram, dentre muitos fatos,
Sessenta e sete anos sob tua tutela;
Tempo em que aprendemos a crer e lutar
Pelo socialismo, que torna a vida mais bela.
Tua vontade de no Araguaia repousar
Faz deste rio já triste, mas também vitorioso, 'inda mais caudaloso,
Engrossado pelas lágrimas do teu povo, que extrapola dos países as fronteiras.
Pelo mundo livre se divisa, hoje a meio mastro,
A foice e o martelo estampados nas bandeiras.
Teu caráter indizível... Tua lucidez, após quase um século de vida...
Tua militância irrepreensível, faz de ti uma das maiores lideranças do campo socialista.
Todos nós, do menor ao maior,
Somos teus devedores,
Graças a teu exemplo temos hoje
Novos, e mais altos, valores.
Saudades? Sim, com certeza!
Já, agora, a sentimos esmagando nosso peito,
E manso pelas faces rolam as lágrimas
De homens e mulheres acostumados a conquistar
Desta terra seu quinhão com muita dureza.
Mas por tudo que nos ensinaste
Não deixamos sequer um dia de lutar,
Sabedores que o socialismo há de vencer!
Na triste certeza
De que para brotar a primavera,
A semente tem que morrer.
José Ramalho Júnior
Ribeirão Preto
27 de maio de 2002